Homenagem a SAMORA MACHEL

No dia 19 de Outubro de 1986, o Presidente SAMORA MACHEL entregava a alma nos destroços do seu avião caído em território sul-africano. Mesmo no interior da cidadela do apartheid, contra o qual o prestigioso dirigente moçambicano entregava o seu último combate. Voltava de Lusaka onde os países da Linha da Frente coordenavam a sua resposta face às manobras do regime do apartheid de manter a tensão e semear divisões, se necessárias, para a execução dos seus intentos.

SAMORA MACHEL foi, em primeiro lugar, um homem que tomou a tocha das mãos do mártir MONDLANE e conduziu a luta de libertação nacional do seu povo até ao triunfo, sobre cinco séculos de dominação colonial. Foi em seguida o construtor perseverante de uma sociedade não racial que ambicionava fazer da unidade do seu povo a grande arma contra os desgostos que o regime racista de Pretória planeava fazer em Moçambique.

Na adversidade de uma pesada herança colonial, SAMORA MACHEL, se entregou a uma tarefa pela qual ele implantou o seu espírito alerta, a sua viva inteligência, a sua memória admirável de fidelidade e de precisão. No brilho dos seus olhos sempre em movimento, se lia a formidável perspicácia de um homem curioso pela experiência de outros, espontâneo nas suas questões, sempre afável e caloroso nos seus comentários e nas suas opiniões.

"Emocionante e cativando o seu povo", como dizia dele JULIUS NYERERE, um dos homens de Estado africano que melhor o conheceu, SAMORA MACHEL soube libertar as energias escondias no seu povo a fim de ultrapassar os múltiplos desafios que se lhe impunham. Soube fazer ouvir a voz do seu povo no seio da Organização da Unidade Africana e do Movimento dos Países Não Alinhados onde ele exprimia com segurança tranquila as suas convicções profundas.

SAMORA MACHEL conheceu muito cedo a Argélia. Esta, primeira de uma luta armada de libertação nacional que se alegrava de ser exemplo para o despertar do povo moçambicano da violência libertadora. Esta, depois de uma Argélia vitoriosa que lhe dispensou, assim como a outros freedom fighters da África combatente, uma formação militar e lhes prodigou a sua ajuda fraternal. Esta, em fim, que lhe acolheu, várias vezes, Chefe de um Estado amigo, engrandecido pelas provas e levado pelos compromissos da sua juventude que amadureceram nele, em terra argelina.

Recebendo o Chefe do Estado argelino em Maputo, em Abril de 1981, numa festa popular transbordante de espontaneidade, SAMORA MACHEL, se exclamou aos seus compatriotas: "Lembram-se! É com as armas arrancadas aos colonialistas pelos combatentes argelinos que nós desencadeamos a nossa própria Revolução. Estas mesmas armas serviram a libertação do povo do Zimbabwe!". É disso que, aquando do 4º Congresso da FRELIMO, ele queria fazer, para a história, uma demonstração verdadeiramente brilhante. Renunciando aos discursos, faz apelo ao percurso de cada um dos militantes reunidos. "Que todos aqueles que "fizeram" Argélia se levantem", se contentou em dizer. Dois terços dos congressistas se entre olham em pé para aplaudir longa e deliberadamente a Argélia.

É esta página gloriosa da história da África combatente que SAMORA MACHEL encarregou um dos seus conselheiros, ilustre entre os inumeráveis amigos do nosso país, o Professor AQUINO DE BRAGANÇA, de imortalizar nas conclusões de um seminário que este último preparava cuidadosamente até ao momento em que a morte o levou com outros companheiros de viagem do grande dirigente desaparecido.

É este homem de excepção que Moçambique, a Argélia e a África perderam em Mbuzini no dia 19 de Outubro de 1986. Todos os que o conheceram não se cansarão de evocar a sua memória com o respeito que a sua obra força, cujo seu sucessor e seus outros companheiros de armas são os dignos herdeiros.

EMBAIXADA DA ARGELIA EM MAPUTO